Feminicídios sobem em janeiro no estado de SP e chegam a 27 vítimas
- 28 de fev.
- 2 min de leitura

O estado de São Paulo registrou 27 vítimas de feminicídio em janeiro deste ano, cinco casos a mais do que no mesmo mês de 2025, quando foram contabilizadas 22 mortes. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Segundo a pasta, em 15 ocorrências os autores foram presos em flagrante. No interior paulista, foram 20 mortes no primeiro mês do ano, com 12 prisões. As demais vítimas foram assassinadas na capital e na região metropolitana.
Para a pesquisadora Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o feminicídio raramente é um ato isolado.
“O feminicídio não é um crime inesperado. Ele resulta de relações familiares e íntimas e ocorre após um ciclo de violências de vários tipos”, afirma. Segundo ela, a própria Lei Maria da Penha descreve formas de violência psicológica, emocional e patrimonial que, quando negligenciadas, podem evoluir para o assassinato.
Bertasso aponta que o machismo estrutural e a misoginia contribuem para que sinais de violência sejam ignorados. “Muitas vezes a mulher se sente intimidada, envergonhada e não compartilha a situação. Quando compartilha, pode ouvir que é apenas uma fase”, diz.
Casos recentes mostram que nem mesmo mulheres com medidas protetivas conseguem proteção efetiva. “É fundamental que as políticas públicas sejam mais eficazes e que essas mulheres se sintam acolhidas pelo Estado”, afirma.
Recorde no país
O Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública — média de quatro mortes por dia e o maior número da série histórica. Em 2024, haviam sido 1.458 casos.
No estado de São Paulo, o total anual também atingiu recorde em 2025, com 270 vítimas, alta de 6,7% em relação a 2024, quando foram registrados 253 feminicídios.
Imagem: Tânia Rego/Agencia Brasil











Comentários