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Academia Adaptada transforma vidas e promove inclusão em Rio Preto

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Muito além dos aparelhos de musculação e dos exercícios físicos, a Academia Adaptada PCD, vinculada à Secretaria Municipal da Mulher, Pessoas com Deficiência e Igualdade Racial de Rio Preto, tornou-se um espaço de inclusão, convivência, autonomia e fortalecimento emocional para dezenas de pessoas com deficiência.


Uma visita ao local revela um ambiente diferente das academias convencionais. Entre uma série de exercícios e outra, não é raro ouvir alunos cantando modas de viola ou compartilhando histórias de vida. O clima de acolhimento e descontração faz parte da proposta do serviço, que alia reabilitação física ao cuidado com a saúde mental e emocional.


Atualmente, cerca de 80 usuários ativos frequentam a academia, que oferece atendimento especializado para pessoas com deficiência, além de familiares e cuidadores. O objetivo é promover mais qualidade de vida, independência e autonomia nas atividades do dia a dia.


Segundo a educadora física Olívia Justo, do Departamento de Políticas para Pessoas com Deficiência, os atendimentos são personalizados e destinados a pessoas com diferentes condições.


“Recebemos pessoas com sequelas de AVC, acidentes de trânsito, paralisia cerebral, alterações congênitas, entre outras situações. Os pacientes são encaminhados por serviços como o Centro Especializado de Reabilitação (CER) e, após o cadastro e apresentação do laudo médico, passam a receber acompanhamento individualizado”, explica.


Histórias de superação e amizade


Entre os frequentadores está a aposentada Eva Pereira da Silva, uma das alunas mais antigas da academia. Desde 2013, ela participa das atividades e inspira colegas e profissionais pela disposição e alegria.


Vítima de uma tentativa de feminicídio, Eva encontrou no espaço uma forma de reconstruir sua autonomia e fortalecer sua autoestima.


Outra história que chama atenção é a de Fernando e Wilma. Os dois se conheceram durante os treinos, tornaram-se amigos e, com o tempo, iniciaram um relacionamento. Hoje, o casal compartilha a rotina de exercícios e encontra no companheirismo uma motivação extra para continuar frequentando a academia.


Os usuários participam das atividades duas vezes por semana e, quando necessário, contam com transporte adaptado disponibilizado pelo serviço.


Do processo de reabilitação ao esporte paralímpico


A Academia Adaptada também tem sido porta de entrada para novos talentos do esporte paralímpico.


Um dos exemplos é o de Lucidalva Cerqueira. Ela procurou o serviço após uma cirurgia de amputação de membro inferior, em busca de adaptação à prótese ortopédica.


Durante o acompanhamento, os profissionais identificaram potencial para a prática esportiva e a encaminharam ao Clube Amigos dos Deficientes (CAD). O resultado não demorou a aparecer: logo em sua primeira competição, Lucidalva conquistou três medalhas.


Um espaço de acolhimento


À frente da equipe está a educadora física Olívia Justo, servidora municipal há mais de dez anos. Nascida e criada em Rio Preto, ela afirma que trabalhar com pessoas com deficiência transformou sua visão sobre a profissão.


“Sempre gostei de esportes e imaginava minha vida ligada à educação física. Quando fui convidada para trabalhar com pessoas com deficiência, descobri o quanto a doação e o olhar humano são importantes. Aqui não trabalhamos apenas a parte funcional. Este é um centro de encontros, de afeto e de trocas”, afirma.


Segundo ela, a convivência diária permite identificar necessidades que vão além da atividade física.


“Às vezes, nas entrelinhas de uma mensagem, percebemos que uma pessoa está sofrendo violência doméstica ou passando por alguma situação difícil. A partir daí, acionamos toda a rede de apoio disponível. Aqui eu não estou em um pedestal. Eu estou junto com eles.”


Com uma proposta que une reabilitação, acolhimento e inclusão social, a Academia Adaptada PCD se consolida como um importante instrumento de transformação de vidas em Rio Preto.

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