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Canetas emagrecedoras não devem substituir cirurgia bariátrica no curto e médio prazo, dizem especialistas

  • há 15 horas
  • 2 min de leitura

Medicamentos injetáveis usados para perda de peso — popularmente chamados de “canetas emagrecedoras” — representam um avanço no tratamento da obesidade, mas ainda não devem substituir a cirurgia bariátrica no curto e médio prazo, avaliam especialistas ouvidos no Dia Mundial da Obesidade, celebrado nesta quarta-feira (4).


A obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial. No Brasil, mais de 60% da população está acima do peso e cerca de 30% já vive com obesidade, segundo dados do Ministério da Saúde.


Para o cirurgião bariátrico Gilberto Brito, chefe fundador do Serviço de Cirurgias Bariátricas e Metabólicas do Hospital de Base, o principal desafio no tratamento não é apenas perder peso, mas conseguir manter o resultado ao longo dos anos.


Segundo ele, apesar da popularização dos medicamentos injetáveis, a cirurgia ainda apresenta resultados mais consistentes no longo prazo. Estudos indicam que entre 60% e 70% dos pacientes operados conseguem manter a redução de peso por mais de cinco anos.


O Hospital de Base se tornou uma das principais referências do país no procedimento pelo SUS. Nos últimos três anos, foram realizadas 1.364 cirurgias bariátricas na instituição. Em 2024, foram 478 procedimentos; em 2025, 622.


As cirurgias são realizadas por videolaparoscopia e, mais recentemente, também com auxílio de tecnologia robótica.


O tempo de espera na fila também diminuiu. Antes estimado em cerca de cinco anos, hoje gira em torno de aproximadamente um ano. A taxa de mortalidade é de cerca de 0,1%, considerada baixa para esse tipo de intervenção.


O avanço recente dos medicamentos está ligado à aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da tirzepatida — princípio ativo do medicamento Mounjaro — indicada para tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.


Para o endocrinologista Antonio Carlos Pires, chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Base, os medicamentos representam uma ferramenta importante, mas exigem prescrição e acompanhamento médico.


Segundo ele, a procedência do produto é um ponto essencial. Medicamentos fabricados fora de padrões sanitários podem apresentar risco de contaminação.


Além disso, especialistas afirmam que os novos tratamentos ainda precisam comprovar três pontos no longo prazo: segurança clínica, manutenção da eficácia ao longo dos anos e viabilidade financeira para grande parte da população.


A procura por atendimento relacionado à obesidade também tem aumentado. No Ambulatório Geral de Especialidades, os atendimentos passaram de 9.385 em 2024 para 11.166 no último ano, crescimento de 19%.


Para os médicos, o cenário reforça que o enfrentamento da obesidade depende de diferentes estratégias, que incluem mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, cirurgia.

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