Correios anunciam fechamento de 16% das agências e plano para reduzir R$ 5 bilhões em despesas até 2028
- Dot Comunicação

- 30 de dez. de 2025
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Com o objetivo de conter os déficits acumulados desde 2022, os Correios anunciaram nesta segunda-feira (29) um plano de reestruturação que prevê o fechamento de cerca de 16% das agências próprias da estatal em todo o país. A medida representa o encerramento de aproximadamente mil unidades, de um total de 6 mil atualmente em operação.
Segundo a empresa, o fechamento das agências deve gerar uma economia estimada em R$ 2,1 bilhões. Considerando também os pontos de atendimento mantidos por meio de parcerias, os Correios contam hoje com cerca de 10 mil unidades que prestam serviços em todo o território nacional.
De acordo com o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, o processo será conduzido sem comprometer o princípio da universalização do serviço postal, obrigação legal da companhia.
“Vamos fazer a ponderação entre o resultado financeiro das agências e o cumprimento da universalização, para que o fechamento de pontos de venda não viole esse princípio”, afirmou Rondon, durante coletiva de imprensa em Brasília.
Plano prevê PDVs, venda de imóveis e revisão de benefícios
Além do fechamento de agências, o plano de reestruturação prevê a redução de R$ 5 bilhões em despesas até 2028, com a venda de imóveis da companhia e a implementação de dois Programas de Demissão Voluntária (PDVs), previstos para 2026 e 2027. A expectativa é reduzir o quadro de funcionários em 15 mil empregados até 2027.
Segundo a direção da estatal, cerca de 90% das despesas atuais são fixas, o que dificulta ajustes rápidos diante das mudanças no mercado postal.
“Essa rigidez impede correções de rota mais ágeis quando a dinâmica do mercado exige”, explicou o presidente.
Os planos de saúde e previdência dos funcionários também devem passar por revisão. A estimativa é que, com as demissões voluntárias e a redução de benefícios, as despesas com pessoal sejam reduzidas em R$ 2,1 bilhões por ano. A venda de imóveis pode gerar ainda R$ 1,5 bilhão em receita.
Déficits, empréstimos e possível abertura de capital
O plano era aguardado diante dos sucessivos resultados negativos registrados pela estatal desde 2022. Segundo os Correios, a empresa enfrenta um déficit estrutural de cerca de R$ 4 bilhões anuais, atribuído principalmente ao custo de manter a universalização dos serviços.
Em 2025, a estatal acumulou um saldo negativo de R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses do ano e apresenta atualmente um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.
Para reforçar o caixa, os Correios informaram que contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos, assinado na última sexta-feira (26). A direção da empresa ainda busca outras fontes de recursos para captar R$ 8 bilhões adicionais, necessários para equilibrar as contas em 2026.
A partir de 2027, a estatal também estuda uma mudança em sua estrutura societária. Atualmente 100% pública, a companhia avalia a possibilidade de abrir capital e se transformar em uma empresa de economia mista, nos moldes da Petrobras e do Banco do Brasil.
Crise no setor postal
Segundo a direção dos Correios, a crise financeira da companhia remonta a 2016, impulsionada pelas transformações no setor postal, especialmente pela digitalização das comunicações, que reduziu drasticamente o volume de cartas — principal fonte histórica de receita da empresa.
A estatal também aponta o avanço do comércio eletrônico e a entrada de novos concorrentes logísticos como fatores que agravaram o cenário.
“Essa é uma dinâmica que ocorreu no mundo inteiro. Algumas empresas conseguiram se adaptar, mas várias ainda registram prejuízos”, afirmou Rondon, citando como exemplo o United States Postal Service, que também enfrenta déficits bilionários.
Ao concluir, o presidente dos Correios afirmou que o plano vai além do equilíbrio financeiro. “Ele reafirma os Correios como um ativo estratégico do Estado brasileiro, essencial para integrar o território nacional e garantir acesso igualitário aos serviços logísticos, especialmente em regiões onde ninguém mais chega”, disse.














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