Infância conectada desafia pais a proteger filhos dos riscos da internet
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O celular está no quarto, na mochila, na mesa do jantar e, muitas vezes, nas mãos de crianças e adolescentes durante horas do dia. Se antes proteger os filhos significava saber onde estavam e com quem saíam, a internet acrescentou uma nova pergunta à rotina das famílias: o que eles fazem quando estão online?
No Dia do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), celebrado nesta segunda-feira (13), especialistas de Rio Preto e região alertam para a necessidade de pais e responsáveis acompanharem de perto a vida digital dos filhos.
Diante das dúvidas de famílias e educadores sobre como lidar com um ambiente que muda rapidamente, um grupo de especialistas criou uma comunidade no WhatsApp dedicada à orientação sobre segurança e comportamento digital.
O espaço reúne informações sobre redes sociais, inteligência artificial, jogos, golpes, desafios virtuais e exposição da imagem de crianças e adolescentes. A proposta é traduzir temas que surgem diariamente na internet em orientações práticas para ajudar famílias a identificar riscos e tomar decisões.
A iniciativa também produz vídeos informativos publicados nas redes sociais.
Para Solange Pescaroli, especialista em relacionamento escolar e diretora da UMA Educação, de Fernandópolis, pais e educadores enfrentam o desafio de acompanhar um universo que ocupa cada vez mais espaço na vida das novas gerações.
“Hoje, o ambiente digital é o principal espaço de convivência das crianças e dos adolescentes. Muitos comportamentos que parecem inofensivos podem esconder riscos importantes. Pais e educadores vivem a dúvida entre proibir e orientar”, afirma.
Segundo ela, a comunidade foi criada para oferecer informações claras, discutir assuntos em evidência e auxiliar famílias e educadores.
Do tempo de tela à vida digital
A preocupação dos especialistas vai além de estabelecer limites para o uso do celular.
O advogado Leon Fagiani, especialista em tecnologia e direito digital e associado ao ecossistema da Apeti, afirma que a proteção prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente precisa acompanhar as transformações provocadas pela tecnologia.
“Mesmo com o Estatuto da Criança e do Adolescente em vigor desde 1990, ainda convivemos com situações graves”, afirma.
Entre os desafios, Fagiani cita a exploração da imagem de crianças nas redes sociais, mecanismos utilizados pelas plataformas para manter usuários conectados por longos períodos e a exposição de menores de idade à publicidade de apostas online.
“Se a cabeça pensa a partir de onde o pé pisa, hoje muitas crianças estão caminhando sobre lixo digital”, diz.
Criado em 13 de julho de 1990, o ECA completou 36 anos em 2026 e estabelece que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar a proteção integral de crianças e adolescentes.
Mais de três décadas depois, especialistas defendem que essa responsabilidade também alcança o ambiente digital.
Em uma geração que cresce conectada, proteger os filhos deixou de significar apenas controlar o tempo diante das telas. O desafio agora é conhecer os espaços que crianças e adolescentes frequentam na internet, manter o diálogo e participar também da vida online.







