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Rio Preto reúne especialistas do país para discutir aumento no aproveitamento de órgãos para transplantes

  • há 1 hora
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Encontro promovido pela Funfarme e Famerp reúne cerca de 40 especialistas e representantes do Ministério da Saúde; propostas serão encaminhadas ao Sistema Nacional de Transplantes
Encontro promovido pela Funfarme e Famerp reúne cerca de 40 especialistas e representantes do Ministério da Saúde; propostas serão encaminhadas ao Sistema Nacional de Transplantes

Cerca de 40 especialistas de diferentes regiões do Brasil se reuniram nesta quinta-feira (13), em Rio Preto, para discutir medidas capazes de ampliar, com segurança, o aproveitamento de órgãos destinados a transplantes no país.


O encontro, realizado pela Unidade de Transplante de Fígado e Intestino do Hospital de Base, do Complexo Funfarme, em parceria com a Famerp, reuniu representantes do Ministério da Saúde, entidades médicas e profissionais de alguns dos principais centros transplantadores brasileiros.


Atualmente, mais de 73 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil. Somente em 2025, 4.102 pacientes morreram antes de conseguir realizar o procedimento, segundo dados apresentados pela organização do evento, com base no Ministério da Saúde e na Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).


Um dos principais objetivos do simpósio foi discutir por que órgãos potencialmente aptos acabam não sendo utilizados e estabelecer critérios que possam melhorar essa avaliação.


As propostas debatidas em Rio Preto serão reunidas em um documento técnico que deverá ser encaminhado ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT), além de ser submetido para publicação no Brazilian Journal of Transplantation.


Participaram das discussões a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes, Patrícia Freire; a vice-presidente da ABTO, Ilka de Fátima Santana Ferreira Boin; e a presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Leila Maria Moreira Beltrão Pereira.


Segundo Patrícia Freire, ainda existem no país órgãos que poderiam ser utilizados, mas acabam descartados por diferentes fatores. A discussão busca identificar esses obstáculos e criar estratégias para aumentar o número de transplantes.


Entre os pontos analisados estão as condições clínicas do potencial doador, tempo de permanência em UTI, pressão arterial, ocorrência de parada cardíaca, infecções, uso de medicamentos em altas doses, histórico de consumo de álcool, obesidade e câncer.


A proposta é que esses fatores sejam analisados de forma conjunta e individualizada, levando em consideração também as condições efetivas de cada órgão.



Tecnologia pode ampliar número de órgãos disponíveis


Outro destaque do encontro foi o uso das máquinas de perfusão, tecnologia que permite preservar e avaliar órgãos fora do corpo antes do transplante.


O Hospital de Base de Rio Preto inaugurou, em abril deste ano, o primeiro Centro de Manutenção de Órgãos do país, equipado com uma máquina de perfusão hepática. Desde então, segundo a instituição, a tecnologia já foi utilizada em transplantes de fígado de 12 pacientes.


O equipamento mantém o órgão em funcionamento fora do corpo e permite que as equipes médicas façam uma avaliação mais precisa antes de decidir pelo transplante, inclusive em situações em que inicialmente existam dúvidas sobre a viabilidade do fígado.


Chefe da Unidade de Transplante de Fígado e Intestino do HB, Renato Silva afirma que a intenção também é discutir a possibilidade de incorporação dessa tecnologia ao Sistema Nacional de Transplantes.


O simpósio contou ainda com a participação do cirurgião britânico Darius Mirza, referência internacional na utilização de máquinas de perfusão.


Com mais de 7 mil transplantes realizados, o Centro Integrado de Transplantes de Órgãos e Tecidos da Funfarme está entre os principais serviços transplantadores do país. A expectativa dos organizadores é que as propostas discutidas em Rio Preto contribuam para reduzir a perda de órgãos potencialmente viáveis e ampliar o número de pacientes atendidos no Brasil.

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