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BC mantém projeção do PIB em 1,6% para 2026 e alerta para risco inflacionário

  • 26 de mar.
  • 2 min de leitura
Relatório aponta aumento da incerteza com conflitos no Oriente Médio e possibilidade de impacto sobre preços e crescimento
Relatório aponta aumento da incerteza com conflitos no Oriente Médio e possibilidade de impacto sobre preços e crescimento

O Banco Central do Brasil manteve em 1,6% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, mas elevou o tom de alerta para o cenário externo. Em Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (26), a autoridade monetária destacou que o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) está sujeito a maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio.


Segundo o BC, um eventual prolongamento das tensões pode gerar um choque negativo de oferta, pressionando a inflação e reduzindo o ritmo de crescimento. O impacto, no entanto, pode ser desigual, com setores como o petrolífero podendo se beneficiar do aumento dos preços internacionais.


A projeção para o PIB se mantém estável em relação ao relatório anterior, refletindo um desempenho próximo ao esperado no fim de 2025 e uma perspectiva de crescimento moderado ao longo deste ano. O cenário considera a manutenção de uma política monetária restritiva, com juros elevados, além da desaceleração da economia global e da ausência do impulso agropecuário observado no ano passado.


Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores, puxada principalmente pela agropecuária.


Inflação segue acima da meta


O Banco Central projeta que a inflação deve encerrar 2026 em 3,6%, ainda acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.


A probabilidade de o índice ultrapassar o teto da meta subiu de 23% para 30%, segundo o relatório. A autoridade monetária atribui parte da pressão inflacionária à alta dos preços do petróleo, influenciada pelo cenário internacional.


A expectativa é que a inflação volte a desacelerar gradualmente a partir de 2027, convergindo para níveis mais próximos da meta.


Juros e política monetária


A taxa básica de juros, a Selic, segue como principal instrumento de controle da inflação. Após um ciclo de alta iniciado em 2024, o BC iniciou recentemente um movimento de redução, com a taxa passando de 15% para 14,75% ao ano.


Apesar disso, a autoridade monetária não descarta interromper o ciclo de queda caso o cenário externo pressione a inflação.


Crédito e atividade


O BC revisou para cima a projeção de crescimento do crédito em 2026, de 8,6% para 9%, impulsionado principalmente pelo crédito a pessoas físicas e empresas.


Mesmo com a revisão, o relatório indica uma desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo, em linha com o ambiente de juros elevados e alto nível de endividamento das famílias.


Contas externas


A projeção de déficit em transações correntes foi reduzida para US$ 58 bilhões (2,2% do PIB), com melhora no saldo comercial, impulsionada principalmente pela alta nos preços de commodities, como o petróleo.


Segundo o BC, o cenário externo segue sendo um fator de risco relevante, especialmente diante das incertezas envolvendo o fluxo de comércio internacional e as cadeias de produção globais.

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