Envelhecimento da população desafia mercado imobiliário e planejamento urbano de Rio Preto

O avanço do envelhecimento da população deve provocar mudanças no mercado imobiliário e no planejamento urbano de Rio Preto nas próximas décadas. Projeções da Fundação Seade indicam que a parcela de moradores com 60 anos ou mais na região administrativa deve passar de 23,4% em 2030 para 34,6% em 2050, cenário que amplia a demanda por imóveis acessíveis, serviços especializados e novas soluções de moradia.
Os impactos dessa transformação foram discutidos pelo Secovi-SP durante o Condo Meeting, realizado na quarta-feira (21), em Rio Preto. O encontro reuniu representantes do setor imobiliário e especialistas para debater a adaptação dos condomínios ao envelhecimento populacional e o planejamento estratégico da cidade até 2050.
Dados apresentados pela Associação Geronto-Geriátrica de Rio Preto (AGERIP), com base em informações do IBGE, apontam que o município contabilizava 89.391 moradores com 60 anos ou mais em 2025, o equivalente a 18,6% da população. Em 2010, esse contingente era de 56.337 pessoas, o que representa crescimento de aproximadamente 59% no período.
Novas demandas para o mercado imobiliário
A mudança no perfil demográfico tende a influenciar desde a concepção de novos empreendimentos até a administração dos condomínios existentes. Acessibilidade, segurança, áreas de convivência e serviços de apoio deverão ganhar importância nas decisões de incorporadoras, administradoras e moradores.
Para Francisco Rosales Espinosa, diretor de Administração Imobiliária e Condomínios da Regional Secovi-SP em Rio Preto, o setor precisa antecipar essas transformações.
“O setor imobiliário precisa acompanhar as transformações da sociedade e participar ativamente do planejamento das cidades. A longevidade é uma dessas mudanças que exigem atenção”, afirma.
Segundo ele, a preocupação com a autonomia e a qualidade de vida dos moradores deve começar ainda na elaboração dos projetos imobiliários e continuar na gestão dos empreendimentos.
A presidente e cofundadora da AGERIP, Maria Cândida Pereira Azem, destacou que a adaptação dos condomínios vai além das intervenções estruturais. O desafio também envolve a criação de ambientes que favoreçam a integração social e a participação dos moradores idosos nas decisões coletivas.
Rio Preto projeta desenvolvimento até 2050
O encontro também discutiu o papel da governança colaborativa no desenvolvimento da cidade. A proposta é aproximar poder público, iniciativa privada, universidades e sociedade civil para estabelecer prioridades de longo prazo em áreas como mobilidade, habitação, sustentabilidade e inovação.
Para Germano Hernandes Filho, presidente da Governança Colaborativa de Rio Preto, o envelhecimento da população precisa ser considerado nas decisões de investimento e infraestrutura.
“Quando pensamos em Rio Preto para os próximos 25 anos, precisamos perguntar que cidade queremos construir e se estamos preparados para as mudanças que já estão acontecendo”, afirma.
Na avaliação dos participantes, o avanço da longevidade representa um desafio para o setor imobiliário, mas também exige uma revisão dos modelos tradicionais de ocupação urbana. O planejamento dos próximos anos deverá considerar uma população proporcionalmente mais velha, com novas necessidades de moradia, mobilidade, serviços e convivência.











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