Flávio Bolsonaro evita detalhar propostas e faz acusações sem provas em sabatina

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) participou, na noite desta sexta-feira (16), de uma sabatina na TV Globo. Durante pouco mais de 40 minutos, o senador apresentou propostas para um eventual governo, mas deixou de esclarecer como algumas medidas seriam colocadas em prática. Também fez declarações questionadas por dados oficiais.
Um dos principais assuntos foi o fim da escala de trabalho 6x1. Após meses de posicionamento contrário à mudança, Flávio afirmou ser favorável à medida, aprovada pelo Senado e promulgada nesta sexta-feira. Segundo ele, a mudança de posição ocorreu após ouvir trabalhadores em diferentes regiões do país.
O candidato defendeu que os trabalhadores tenham liberdade para definir suas jornadas e afirmou que pretende preservar a legislação trabalhista.
Na área de segurança pública, Flávio prometeu classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Questionado sobre os efeitos práticos da proposta no combate ao crime organizado, não apresentou detalhes. Também defendeu mudanças na legislação para facilitar o acesso da população a armas de fogo.
Outro tema abordado foi o ataque às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Flávio negou que os atos tenham representado uma tentativa de golpe de Estado e classificou como uma farsa o julgamento que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão.
O candidato também voltou a comentar sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso após investigações envolvendo o Banco Master. Flávio afirmou não ter cometido irregularidades nas negociações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, projeto que teria recebido cerca de R$ 60 milhões de Vorcaro.
Na economia, prometeu reduzir a dívida da União em mais de R$ 200 bilhões por meio da venda de imóveis públicos. Também mencionou a possibilidade de arrecadar R$ 100 bilhões com a exploração de petróleo na margem equatorial, embora a Petrobras não preveja o início da produção antes de 2033.
Flávio afirmou ainda que pretende extinguir pelo menos dez ministérios e acabar com a possibilidade de reeleição presidencial. Segundo ele, a mudança seria aplicada já ao próximo mandato, caso vença as eleições.
Durante a entrevista, o candidato também acusou o governo federal de registrar recordes de queimadas na Amazônia. A afirmação, porém, não corresponde aos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que contabilizou 9.544 focos de calor até 15 de outubro, número inferior aos maiores registros históricos.
A sabatina ocorreu na reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Com informações da Agência Brasil.











Comentários