Hospital de Base registra 8 captações de órgãos e 4 corações no ano
- há 16 horas
- 2 min de leitura

O Hospital de Base de São José do Rio Preto contabiliza, nos dois primeiros meses de 2026, oito captações de órgãos, sendo quatro de coração. A marca reforça o protagonismo da instituição no sistema nacional de transplantes e coloca a região noroeste paulista acima das médias estadual e federal de doação.
Na segunda-feira (2), foram captados coração, fígado, rins e córneas em um único procedimento. A operação foi coordenada pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) do hospital, que atua 24 horas por dia. A equipe é responsável por todas as etapas do processo, do diagnóstico de morte encefálica à articulação logística com a central de transplantes e as equipes médicas receptoras.
Segundo o coordenador da OPO, João Fernando Picollo, a captação multiorgânica exige sincronia entre assistência clínica, autorização familiar e transporte. O ponto decisivo, afirma, é a entrevista com os familiares — no Brasil, a doação só ocorre mediante consentimento da família.
Nos 24 hospitais integrados à rede coordenada pelo HB, a taxa de aceitação familiar chega a 75%, índice considerado um dos mais elevados do país. A média nacional gira em torno de 50%.
O tempo é fator crítico. O coração suporta cerca de quatro horas fora do corpo; o fígado, até oito; os rins, até 24. Para reduzir o intervalo entre captação e transplante, o hospital conta com o programa TransplantAR, iniciativa de aviação solidária homologada pelo governo estadual, que viabiliza o transporte rápido das equipes e dos órgãos.
Como resultado de um trabalho contínuo de capacitação profissional — mais de 700 profissionais treinados em mais de 140 municípios ao longo da última década — a região alcançou 46 doadores por milhão de habitantes (pmp). O índice é mais que o dobro da média do Estado (22 pmp) e do país (20 pmp).
Especialistas destacam que o Sistema Nacional de Transplantes opera com lista única e critérios técnicos rigorosos, sem favorecimentos. Um único doador pode beneficiar até oito pessoas com órgãos vitais e melhorar a qualidade de vida de mais de 50 com a doação de tecidos.
A engrenagem, no entanto, depende de uma decisão íntima. Cada autorização familiar transforma o luto em possibilidade de vida para outros pacientes.











Comentários