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Mercado eleva projeção da inflação para 5,04% e reforça pressão sobre política monetária

  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

A escalada das tensões no Oriente Médio e os reflexos sobre os preços internacionais de combustíveis levaram o mercado financeiro a revisar novamente para cima a projeção da inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA subiu de 4,92% para 5,04%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).


É a décima primeira alta consecutiva nas projeções para a inflação deste ano. A meta oficial perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.


O movimento reforça o cenário de cautela no mercado e aumenta a pressão sobre a condução da política monetária em um momento em que o Banco Central vinha iniciando um ciclo gradual de redução da taxa básica de juros.


A inflação segue pressionada principalmente pelos preços de combustíveis e alimentos. Em abril, o IPCA avançou 0,67%, segundo o IBGE, com impacto relevante do grupo alimentação. No acumulado de 12 meses, o índice está em 4,39%, ainda dentro do limite da meta, mas próximo do teto.


Mesmo diante da deterioração das expectativas inflacionárias, o mercado manteve a projeção da Selic em 13,25% ao ano ao final de 2026. Atualmente, a taxa básica está em 14,5% ao ano, após duas reduções consecutivas promovidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom).


Na ata da última reunião, o Banco Central evitou antecipar os próximos passos da política monetária e afirmou acompanhar os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio, especialmente sobre energia e cadeias globais de preços.


O mercado também revisou levemente para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,85% para 1,89%. Para o câmbio, a expectativa permanece em dólar a R$ 5,17 no fechamento do ano.


Analistas avaliam que a combinação entre inflação resistente, juros elevados e cenário internacional instável deve manter o ambiente econômico brasileiro sob forte volatilidade nos próximos meses.

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