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Transtorno bipolar afeta 140 milhões e pode levar até 10 anos para diagnóstico, diz especialista da Famerp

  • há 1 dia
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Prof. Dr. Gerardo Maria, psiquiatra e coordenador do curso de medicina da FAMERP
Prof. Dr. Gerardo Maria, psiquiatra e coordenador do curso de medicina da FAMERP

Cerca de 140 milhões de pessoas no mundo vivem com transtorno bipolar, mas parte significativa dos casos ainda enfrenta anos até a identificação correta da doença. O diagnóstico pode levar de cinco a dez anos, segundo o psiquiatra Gerardo Maria de Araújo Filho, coordenador do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.


A dificuldade está, em grande parte, na confusão com outros transtornos, especialmente a depressão. “Muitos pacientes passam anos sendo tratados apenas como depressivos até que o diagnóstico correto seja estabelecido”, afirma o especialista.


Um caso conhecido é o da cantora Rita Lee, que recebeu o diagnóstico apenas aos 64 anos. Após a descoberta, relatou alívio ao compreender os ciclos de euforia e depressão que marcaram sua vida.


O tema ganha destaque no Dia Mundial do Transtorno Bipolar, que busca ampliar a conscientização e combater o estigma em torno da doença.


Segundo Araújo Filho, o uso equivocado do termo “bipolar” no cotidiano atrapalha o diagnóstico. “Oscilações de humor ao longo do dia são normais. O transtorno bipolar envolve fases prolongadas, que duram semanas ou meses, e não horas”, explica.


A condição é crônica e caracterizada por ciclos de depressão e euforia (mania ou hipomania), intercalados por períodos de estabilidade. Essa duração mais longa dos episódios é um dos principais critérios clínicos para diferenciar o transtorno de variações emocionais comuns.


O transtorno pode ser classificado em dois tipos principais. No tipo 1, há episódios de mania mais intensos, que podem incluir delírios e alucinações. Já no tipo 2, predominam episódios depressivos, com fases de euforia mais leves.


A doença costuma se manifestar entre os 16 e 25 anos, mas pode surgir em outras fases da vida. Entre os fatores de risco estão a predisposição genética — com chance de 10% a 20% entre filhos de pessoas diagnosticadas — além de fatores ambientais e estresse.


O especialista alerta para os riscos do autodiagnóstico e reforça a importância do acompanhamento profissional. “Se houver suspeita, é fundamental procurar um psiquiatra ou psicólogo. O tratamento adequado permite qualidade de vida e estabilidade emocional”, afirma.


Principais sinais


Fase depressiva (mínimo de duas semanas):


Tristeza persistente

Perda de interesse

Alterações no sono e apetite

Baixa autoestima

Falta de energia


Fase de euforia (mania ou hipomania):


Humor elevado ou irritável

Pensamento e fala acelerados

Autoestima inflada

Impulsividade

Redução da necessidade de sono


Crédito: Johnny Torres / FAMERP Divulgação

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