Acordo Mercosul–União Europeia é aprovado após 25 anos de negociações
- Dot Comunicação
- há 3 horas
- 2 min de leitura

Após mais de duas décadas de tratativas, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi aprovado nesta sexta-feira (9) pelo Conselho da União Europeia. A assinatura formal está prevista para o dia 17, em Assunção (Paraguai), e o tratado estabelece as bases da maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas.
Apesar da celebração por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que apontam riscos à concorrência agrícola e possíveis impactos climáticos. A implementação será gradual, com efeitos práticos distribuídos ao longo de vários anos. Após a assinatura, o texto precisará do aval do Parlamento Europeu e, em pontos que extrapolam a política comercial, de ratificação nos parlamentos nacionais, o que pode estender o cronograma.
Principais pontos do acordo
1) Eliminação de tarifas alfandegárias
• Redução gradual sobre a maior parte dos bens e serviços.
• Mercosul: tarifa zero para 91% dos bens europeus em até 15 anos.
• UE: eliminação de tarifas para 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
2) Ganhos imediatos para a indústria
• Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.
Setores beneficiados: máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, químicos, aeronaves e equipamentos de transporte.
3) Acesso ampliado ao mercado europeu
• Preferência em um mercado de alto poder aquisitivo.
• PIB da UE estimado em US$ 22 trilhões.
• Comércio mais previsível, com menos barreiras técnicas.
4) Cotas para produtos agrícolas sensíveis
• Carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas.
• Acima das cotas, haverá tarifa; as cotas crescem gradualmente.
• Objetivo: evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus.
• Na UE: cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil.
• No Brasil: até 9% dos bens ou 8% do valor.
5) Salvaguardas agrícolas
• UE poderá reintroduzir tarifas temporárias se importações excederem limites ou preços caírem muito abaixo do mercado.
6) Compromissos ambientais obrigatórios
• Proibição de benefícios a produtos ligados a desmatamento ilegal.
• Cláusulas ambientais vinculantes, com possibilidade de suspensão por violação do Acordo de Paris.
7) Regras sanitárias rigorosas
• Padrões sanitários e fitossanitários da UE permanecem inalterados.
8) Comércio de serviços e investimentos
• Redução de discriminação regululatória a investidores.
• Avanços em finanças, telecomunicações, transporte e serviços empresariais.
9) Compras públicas
• Empresas do Mercosul poderão disputar licitações na UE, com regras mais transparentes.
10) Propriedade intelectual
• Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias.
• Regras claras para marcas, patentes e direitos autorais.
11) Pequenas e médias empresas (PMEs)
• Capítulo específico com facilitação aduaneira e acesso à informação.
• Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.
12) Impactos para o Brasil
• Potencial aumento das exportações (agro e indústria).
• Maior integração às cadeias globais de valor.
• Atração de investimentos no médio e longo prazo.
13) Próximos passos
• Assinatura: 17 de janeiro, no Paraguai.
• Aprovação pelo Parlamento Europeu.
• Ratificação nos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.










