Congresso inédito reúne mais de 300 profissionais e destaca papel da odontologia nos hospitais
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A Funfarme reúne mais de 300 profissionais da saúde de diferentes regiões do país no I Congresso Paulista de Odontologia Hospitalar, realizado nesta quinta e sexta-feira, dias 27 e 28 de agosto, no Centro de Convenções da Famerp, em Rio Preto.
O evento inédito discute a atuação dos cirurgiões-dentistas dentro dos hospitais e a ampliação da especialidade para unidades de saúde de municípios de toda a região. A programação também aborda o impacto clínico e econômico do atendimento odontológico para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Embora a atividade do dentista ainda seja associada principalmente aos consultórios, esses profissionais desempenham um papel importante na prevenção de infecções e na recuperação de pacientes internados. Protocolos adequados de higiene bucal em pacientes intubados podem reduzir em até 60% o risco de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), infecção grave que pode prolongar a internação e elevar os custos do tratamento.
Segundo o especialista em odontologia hospitalar e odontopediatria Fábio Luiz Scannavino, um dos objetivos do congresso é capacitar os profissionais para os desafios enfrentados tanto nos consultórios quanto no ambiente hospitalar.
“O cirurgião-dentista está integrado às mais diversas especialidades médicas e exerce um papel fundamental na equipe multiprofissional. Na UTI, por exemplo, os cuidados de saúde bucal contribuem comprovadamente para a redução da pneumonia associada à ventilação mecânica”, afirma.
No Hospital de Base, mais de 20 profissionais trabalham em diferentes especialidades odontológicas. A atuação inclui o atendimento em UTIs, o acompanhamento de pacientes submetidos a transplantes, quimioterapia e cirurgias de grande porte, além de cuidados com recém-nascidos e crianças.
“Nosso propósito é levar saúde, atuar em conjunto com toda a equipe e contribuir para que o paciente se recupere mais rapidamente e possa voltar para casa”, destaca Scannavino.
Atuação pode gerar economia superior a R$ 600 mil
Além dos benefícios clínicos, a odontologia hospitalar também pode reduzir os gastos do sistema público de saúde. Dados do Ministério da Saúde apontam que a atuação de um cirurgião-dentista em uma unidade de onco-hematologia, com cerca de 20 pacientes em tratamento quimioterápico, pode gerar economia superior a R$ 600 mil por ano.
A redução dos custos ocorre devido ao menor tempo de internação, à diminuição do uso de analgésicos e antibióticos de alto custo e à prevenção de infecções que podem evoluir para quadros graves, como a sepse.
Para o cirurgião-dentista da Funfarme Alex Tadeu Martins, a importância da especialidade já foi comprovada cientificamente e o desafio atual é garantir sua manutenção e expansão.
“Hoje não precisamos mais discutir se a odontologia hospitalar é necessária ou não. A ciência já provou isso definitivamente. A questão agora é como mantê-la e ampliá-la. O debate atual envolve a busca por financiamento, produção científica de ponta, integração real com as equipes médicas e adoção de novas tecnologias, beneficiando principalmente nossos pacientes do SUS”, afirma.
Tecnologia nas UTIs
O complexo hospitalar da Funfarme, formado pelo Hospital de Base e pelo Hospital da Criança e Maternidade, é referência nacional em assistência bucal de alta complexidade.
Entre as tecnologias utilizadas estão as escovas de sucção, adquiridas para todas as UTIs do Hospital de Base e em processo de implantação no HCM. Durante a escovação, o equipamento aspira os líquidos em tempo real, reduzindo o risco de o paciente engasgar ou aspirar fluidos contaminados para os pulmões.
Os resultados do trabalho também aparecem nos indicadores hospitalares. A UTI de Cardiologia Pediátrica, a CardioPedBrasil, alcançou mais de 210 dias sem registrar casos de pneumonia associada à ventilação mecânica.
O atendimento odontológico realizado pela Funfarme vai desde a remoção de dentes natais que dificultam a amamentação até o preparo bucal de pacientes que passarão por transplantes, quimioterapia ou cirurgias de grande porte.
Rede colaborativa
O congresso também busca fortalecer a integração entre diferentes áreas da saúde. Médicos e dentistas participam conjuntamente das palestras e apresentam casos reais, com foco na segurança e na qualidade do atendimento aos pacientes.
Outro destaque da programação é o encontro de residentes e pós-graduandos em odontologia hospitalar. A proposta é criar uma rede colaborativa entre instituições do Estado de São Paulo para compartilhar experiências em áreas de alta complexidade, como transplantes e cardiologia pediátrica, além de viabilizar estágios e intercâmbios entre hospitais paulistas.











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