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  • Foto do escritor: Dot Comunicação
    Dot Comunicação
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Pesquisadores da Famerp conduzem um estudo que avalia o uso do medicamento anakinra, já aprovado no Brasil para o tratamento da artrite reumatoide, como estratégia para reduzir processos inflamatórios em rins de doadores falecidos antes do transplante. A iniciativa busca ampliar o aproveitamento dos órgãos e melhorar os resultados clínicos dos transplantes renais.


A pesquisa conta com apoio da FAPESP e foi reconhecida como o melhor trabalho científico no Congresso Latino-Americano de Transplantes, realizado em outubro de 2025, no Paraguai. O estudo é coordenado pelo Prof. Dr. Mário Abbud Filho e pela Profa. Dra. Heloísa Cristina Caldas, docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da Famerp.


De acordo com o Prof. Dr. Mário Abbud Filho, a proposta responde a uma demanda urgente do sistema de transplantes brasileiro. “Trata-se de utilizar uma droga segura e já incorporada à prática médica para melhorar a condição do órgão antes do implante”, afirma. No Brasil, mais de 30 mil pessoas aguardam por um transplante renal, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Apesar dos avanços na captação, cerca de 30% dos rins de doadores falecidos são descartados anualmente por não atenderem a critérios considerados ideais no momento do transplante.


Embora o transplante seja a alternativa mais eficaz para pacientes com doença renal crônica, o pós-operatório ainda apresenta desafios relevantes. No país, grande parte dos receptores de rins de doadores falecidos desenvolve disfunção renal temporária logo após o procedimento, o que prolonga a necessidade de diálise e aumenta o tempo de internação hospitalar. Esse cenário está diretamente relacionado às condições de preservação do órgão.


Durante o período em que o rim permanece fora do corpo, submetido a baixas temperaturas e sem oxigenação adequada, processos inflamatórios podem ser intensificados, comprometendo o funcionamento inicial após o transplante. O problema é ainda mais frequente em rins provenientes de doadores de critérios estendidos — como idosos ou pessoas com comorbidades — que apresentam maior risco de complicações e acabam sendo frequentemente recusados.


Uma das tecnologias mais eficazes para reduzir esses danos é a perfusão renal em máquina, método que mantém o órgão irrigado com solução oxigenada até o transplante. No entanto, o alto custo limita sua adoção em larga escala no Brasil. Diante desse cenário, os pesquisadores avaliaram o potencial do anakinra como alternativa farmacológica para reduzir a inflamação mesmo em contextos de preservação mais simples.


Segundo a Profa. Dra. Heloísa Cristina Caldas, a inflamação pode se iniciar ainda no doador e se intensificar durante o armazenamento do órgão. “A ideia foi intervir nesse processo antes do transplante, preservando melhor o tecido renal e favorecendo a recuperação do órgão após o procedimento”, explica.


O estudo experimental foi realizado em parceria com a University Medical Center Groningen, nos Países Baixos, utilizando rins de suínos, modelo considerado semelhante ao humano. Os órgãos foram submetidos a diferentes protocolos de perfusão, com e sem o medicamento, em temperaturas controladas. Os resultados indicaram redução significativa de marcadores inflamatórios nos rins tratados com anakinra, sem evidência de toxicidade ou danos estruturais ao tecido renal.


A próxima etapa da pesquisa prevê testes em rins humanos descartados para transplante, em colaboração com um centro de pesquisa nos Estados Unidos. Caso os resultados se confirmem, o anakinra poderá ser incorporado inclusive ao método tradicional de preservação estática, utilizado na maioria dos centros transplantadores brasileiros, possibilitando ganhos clínicos relevantes sem a necessidade de investimentos elevados em novos equipamentos.


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